Teenage Dream

Let's run away and don't ever look back!

Capítulo 4 / 7 - Recomeço

Um dia depois. Amanhã de ontem. Hoje. Um novo dia. Muitas formas de descrever o simples fato da Terra ter dado um giro completo em torno de si mesma. Mas para mim, tudo estava parado. Paralisado. Ou eu desejava que estivesse assim. Mas a morte do Will não me causou tanto sofrimento quanto eu imaginava. Havia certo alívio, uma compreensão anormal de que ele havia sido a melhor pessoa que ele pôde, e que havia cumprido com seu propósito. Ele havia se tornado um herói para mim, e não podia aceitar sua morte com tristeza. Ele me ensinou a ser feliz, e eu devia me despedir dele com um sorriso.
Não vou mentir de que não sofri. Ou que separar-me dele dessa forma não doeu. Ou que eu havia feito tudo que queria com ele ou por ele. Não tínhamos nem nos reencontrado ainda, o que obviamente estava nos planos para a data “quando possível”. Mas também não havia arrependimentos. Havia orgulho e saudades. E uma vontade de seguir em frente como ele queria que eu fizesse.
Naquele dia saí de casa e caminhei algumas horas pelo campus onde estudei. Fui até um lugar onde dava para se ouvir uma queda d’água. Sempre ia lá quando queria relaxar. Eu dizia que conectava-me a terra quando sentava-me ali, no meio do nada, no chão, entre as árvores. Os mosquitos obviamente viam fazer companhia algum tempo depois, mas estava tão desconectado que nem me incomodava.
Fiquei por lá até escurecer e então, fui ao quarto dos meninos. Eles já haviam jantado, e eu estava completamente perdido quanto ao horário. Percebi que passei mais tempo sentado naquele lugar do que imaginei. Nós íamos assistir mais um episódio de uma série aquele dia, e tudo estava indo como normalmente. Então, quando o episódio acabou, Túlio e Matheus ainda permaneciam sentados ao meu lado vendo alguma coisa que não me recordo no notebook do Matheus, e eu comecei:
- Meninos, posso desabafar uma coisa com vocês?
- Claro que pode, o que aconteceu?
Eu já tinha falado sobre o William para eles, mas muito pouco. E, sinceramente, nem lembrava até onde eles já sabiam.
- Lembram do William? Meu amigo que falei para vocês…
- Sim, claro. Seu melhor amigo, que os meninos (Alexander e Geraldo) sentiam ciúmes e não conheciam.
Lágrimas. Não sou bom em biologia, e ainda me pergunto porque quando alguns sentimentos nos invadem de forma intensa, seja tristeza, alegria e até mesmo raiva, nós choramos. Naquele momento, fui quebrantado. O momento em que me permitir despedir realmente do Will e seguir em frente. Um sentimento profundo chocou-se violentamente comigo naquele momento. Como um furacão que leva tudo embora. Era o vazio. Precisava me esvaziar para preencher novamente. Recomeçar.
Expliquei para eles a parte que sabia sobre a doença do William e contei que ele havia falecido. Eu chorei, e cada lágrima carregava lembranças, sentimentos e todo o peso do passado que não voltava. Eu me sentia mais leve contando aquilo. E o carinho que os meus novos amigos ali presentes me ofereceram tornou tudo ainda mais reconfortante. Revigorante. Uma nova parte da minha vida começava ali. E eu já tinha recebido a direção. Era apenas questão de coragem para seguir. Ou não.
Permaneci ali por mais algum tempo. Acalmei. Parei de chorar e entramos em outros assuntos para descontrair. Eu não queria ir embora. E Matheus ainda me devia o início de uma história, a qual eu estava desesperadamente ansioso para ouvir. E como parecia que ele não ia começar, então eu cobrei.
- Você sabe que me deve o início de sua história, né?
- Sei, claro. Mas estava evitando o assunto para ver se você esquecia ou adiava, pelo menos.
- Nenhum dos dois. Por mim, pode começar agora.
- Uai, está bom então. Vamos começar do início, então. Antes de eu entrar na CEDAF…
E então ele começou. Foi jorrando sua história sobre mim, de forma natural e tranquila que quase nem sentia o tempo passar. Como se cada palavra repousasse em minha memória com leveza e mansidão. Era adorável a forma como ele gesticulava e se expressava, dando vida e forma à história. Tudo parecia me hipnotizar de uma forma mágica e linda.
Ele contou todos os detalhes que ele podia e lembrava. Fiquei impressionado com a capacidade dele de detalhar seu passado com tanta exatidão e conteúdo. Ele acessava o mais fundo de sua memória como se todos os acontecimentos houvessem ocorrido recentemente. E seus olhos transbordavam energia e um sentimento de nostalgia que ele exalava sobre mim em cada palavra dita, em cada memória transmitida. Encantador.
Bem, meu caro leitor. Apesar de toda a apreciação que tenho por você estar dedicando (ou desperdiçando) seu precioso (ou ordinário) tempo lendo essas palavras que escrevi por amor (ou capricho), não contarei sobre a história que Matheus confiou a mim. Não acrescenta ao conteúdo desse livro informação útil ou necessária. Então, deixo a você o espaço para imaginar o que quiser. Para auxiliar sua imaginação, digo apenas que naquele primeiro dia, ele contou a história dele antes de entrar no ensino médio, que ele havia se apaixonado por uma menina, as amizades que ele teve no ensino fundamental, contou sobre quando ele se mudou de cidade junto com seus pais e o motivo da mudança, contou sobre o bullying que sofreu na escola e sobre os amigos que ele teve. E a última informação: ele ainda não havia beijado ninguém quando entrou no ensino médio.
Eu absorvi tudo aquilo, e ficava encenando em minha cabeça toda a história. Ele dividia comigo o fato de termos sofrido bullying na infância. Mas nossos pais encontraram soluções bem diferentes para resolver isso. Um exemplo é que meu pai chegou a quebrar o braço de um menino que roubou meu lanche no recreio. Porém, devo esclarecer que isso apenas ocorreu porque meu pai foi tirar satisfação com o menino, que era bem mais velho que eu, e então o menino tentou arremessar uma cadeira ou mesa no meu pai, e em defesa própria, meu pai o imobilizou, com um pouco de força a mais do que ele devia.
Mas estava tarde (muito tarde!), então o Matheus resolveu terminar a história por ali. Continuaríamos, a partir do outro dia, sua história no ensino médio. Em um dia ele resumiu aproximadamente 8 anos da vida dele (o ensino fundamental durava 8 anos na nossa época), então não achei que fosse demorar para a história terminar, uma vez que faltavam aproximadamente 2 anos e 4 meses até o dia atual. Mas não existia uma escala entre o tempo real e o tempo que Matheus gastava para contar sobre o passado. E essa lógica veio se provar extremamente errada no futuro.

(…)

Oras, eu estava ficando muito ansioso para ouvir mais sobre a história do Matheus. Ele estava se sentindo muito livre e a vontade para contar também, então estávamos todos felizes. Felizes o suficiente para esquecermos por um tempo sobre o assunto “amigo 13”. Bem, era o que eu pensava.
Nós havíamos nos aproximado bastante, e estávamos conversando bastante através de redes sociais agora. Era quase todo dia. E nesses “quase todo dia”, ele sempre questionava mais alguma coisa sobre o amigo 13. E isso não mudou. Eu estava “enigmatizando” tudo que eu pudesse sobre o assunto, dando respostas vagas ou de duplo sentido, assim eu não mentia, mas não dizia a verdade diretamente. Com o tempo, acabei ficando muito bom nisso. E, eu admito, estava gostando muito dessa situação de tentar enganá-lo, e de ele tentar me desvendar. Nunca houve pessoa tão empenhada e interessada em retirar uma informação de mim.
No dia seguinte, então, eu voltei ao alojamento para continuarmos a história. Foi quando eu percebi que havia duas grandes falhas em tudo que eu estava fazendo: (1) eu estava me aproximando dele demais, alimentando uma esperança de que seria possível haver algo mais entre nós, enquanto tentava provar a ele que não gostava dele; (2)eu estava escondendo que gostava dele por ter certeza que ele não gostava de mim e, como valorizava muito a amizade dele, não iria pô-la em risco. Agindo dessas duas formas, eu esqueci de considerar o fato: ele se relacionar com outra pessoa. E como essa foi a única hipótese que desconsiderei, a lei de Murphy se atirou na minha cara mostrando que essa seria a probabilidade que prevaleceria.
Quando cheguei ao quarto e a porta se abriu, eu deixei um sorriso na entrada, como se tivesse caído de meu rosto, pesado o suficiente para estremecer o chão que me firmava, mas frágil o suficiente para se quebrar e desaparecer naquele piso. Percebi o que estava acontecendo no exato momento que o vi. Uma pessoa no estado de “se apaixonar” age sempre da mesma forma. E com ele não foi diferente. Ele estava lindo, e não pude evitar admirá-lo naquela blusa polo preta, calça jeans escuro, cabelo arrumado. Seu perfume era o melhor cheiro que havia sentido até então. Ele sorria seu “sorriso bobo”, como se a vida fosse um espetáculo a ser apreciado do camarote. Não tive coragem de olhar seus olhos, sentia-me tão vulnerável a toda aquela felicidade dele, que chegava a me dar calafrios só o brilho deles em minha direção. Ele estava perfeito. Mas não era para mim.
Então eu não fiquei no quarto nesse dia. Sentei na cama do Túlio enquanto acompanhava os movimentos do Matheus no quarto se arrumando para sair. Era alguém. Ele não disse, mas não precisava. Eu deitei do lado do Túlio, e talvez essa tenha sido a melhor escolha do dia que eu fiz. Daquela forma, não podia ver o Matheus, assim como não pude despedir-me dele direito. E ao mesmo tempo, o jeito carinhoso do Túlio de me tratar aquietava-me o suficiente para eu manter toda aquela alegria falsa que me forcei a fingir. Afinal, não tinha outra opção também.
Aquelas malditas questões começam a passar pela sua cabeça: Porque se apaixonou por ele? E o que fez você achar que ele corresponderia? Ele é um menino, sabia? Ele provavelmente gosta de meninas, seu lesado, pensou nisso? E na probabilidade dele gostar de meninos ser verdadeira, por que droga de razão seria você? Não se enxerga não?
Acho que já tinha passado por isso tantas vezes, que criei uma certa resistência. Na verdade, era uma questão de desistir facilmente das coisas. Ou das pessoas. Pode me chamar de frouxo ou covarde, caro leitor. Mas se tem algo que não faço é “lutar pelo coração/amor de alguém”. Parece-me algo sem fundamento ou objetivo. Se essa pessoa não gosta de você, então você simplesmente aprende a gostar de outra pessoa, torcendo para que ela seja uma das pessoas que se encaixam na minúscula e quase insignificante probabilidade de corresponder seu sentimento.
Após o Matheus sair, permaneci no quarto por aproximadamente mais uma hora, e então fui para o quarto do Bilu, onde fiquei até quase adormecer. Bilu estava com um jogo novo, que ficamos jogando por muito tempo. Depois deitamos na cama, ele com a cabeça para um lado e eu para o outro, e ficamos conversando e fazendo joguinhos de palavras. Quando senti sono, levantei-me para ir embora, mas Bilu insistiu para que eu ficasse mais um pouco, ou que eu podia dormir ali, e poderíamos ficar jogando, e até sugeriu de irmos comer num restaurante que tinha aberto na cidade e que eu ainda não conhecia. Eu recusei timidamente, mas falei que amaria ir ao restaurante algum dia. Ele me fez prometer que iria com ele um dia então, que eu não recusaria o convite de novo. Eu prometi, apressando-me para ir para casa antes que minha mãe ficasse preocupada.
Mas por mais cedo que eu chegasse, não adiantava, sempre era tarde demais para minha mãe. Ela tinha um nível de preocupação alarmante, e qualquer horário que eu chegasse após ter escurecido era tarde demais. Desde que eu criei essa péssima mania de chegar em casa depois de meia noite então, tudo piorou. E não adiantava eu esperar ela dormir, porque minha mãe sofre de um caso sério de insônia ainda não diagnosticado, por isso ela nunca dorme.
Então, naquele dia, cheguei em casa pelas duas horas da manhã, e apenas queria me jogar na cama e dormir. Apagar. Sumir. Mas minha mãe estava lá, me esperando, em um macacão jeans que ela sempre usava quando planejava sair na rua atrás de mim ou da minha irmã à noite. Ela deu o sermão de costume, e depois ficou conversando comigo sobre coisas avulsas. Acabamos ligando a TV e assistindo alguma comédia que estava passando no horário. Deitei no colo dela. Ela aconchegou-me em seu colo. Adormeci.

(…)

Levantei no outro dia sozinho, na cama de minha mãe, coberto com um edredom roxo de um lado e branco do outro com estampa florida. Minha mãe trabalhava de cantineira na creche, e meu irmão ia de manhã para a pré-escola. Minha mãe passava grande parte do dia trabalhando, e minha irmã estudava na CEDAF. Então eu normalmente buscava meu irmão e ficava com ele até minha mãe ou minha irmã chegar. Apesar de ficar com meu irmão muitas vezes mesmo que minha irmã chegasse. Eu sou bem mais próximo a ele do que ela.
Meu café da manhã foi um pão francês com margarina. Não tinha café, e estava com muita preguiça de gastar meu tempo fazendo café. Então fiz um chá, que é mais rápido e mais gostoso, na minha opinião, fazendo aquele tempo esperando a água esquentar parecer valer mais a pena. Minha mãe tinha deixado um bolo de laranja pra mim no forno, então também o peguei. Coloquei muitos pedaços do bolo num prato, junto com o pão e a margarina, peguei o jarro com o chá e levei tudo para o quarto. Liguei a televisão, coloquei num canal onde estivesse passando desenhos e fiquei ali a manhã toda. Na hora do almoço, fui buscar meu irmão. Passei na creche pra ver se minha mãe arranjava o almoço para meu irmão e eu. Enrolei para comer, porque estava insuportavelmente quente aquele dia. Mas quando acabei meu almoço, ainda estava muito quente, e eu já não queria mais esperar, então eu e meu irmão fomos andando lentamente para casa, procurando qualquer sombra que pudesse nos abrigar por algum tempo durante o caminho. Quando chegamos em casa, dei banho e troquei a roupa de meu irmão, e então fui tomar banho enquanto deixava ele assistindo um desenho na TV.
Quando saí do banho, ele havia adormecido. Desliguei a TV, peguei meu notebook, liguei e fui assistir anime. Dei uma passadinha rápida na internet para ver as novidades, mas nenhuma valia a pena. Fiquei em casa então praticamente o dia todo. Minha mãe chegou no final da tarde. Como nenhum dos meus amigos deu sinal de vida, fui para a casa de minha tia. Ela morava bem ao lado do restaurante que prometi ir com o Bilu, então mandei mensagem para ele pelo celular perguntando quando iríamos no Cadillac (o restaurante novo que abriu). Ele me respondeu e ficamos trocando mensagem por algum tempo. Eu Fiquei jogando Mortal Kombat 5 durante muito tempo com meus tios, e só parei porque recebi uma mensagem do Bilu. Eu falei para ele onde eu estava, e ele falou que estava na aula de inglês, que também era perto dali. Era uma cidade pequena, tudo era perto de tudo.
Quando a aula de inglês dele acabou, eu estava na porta esperando ele para irmos embora. Ele ia para o alojamento, e minha casa era perto, então fizemos companhia um para o outro no caminho. Bilu tinha um celular ótimo, era quase um computador portátil, que ele fez questão de pegar e colocar música em alto volume. Eu sentia muita vergonha, mas ele parecia bem a vontade naquela situação. A rua era deserta, então não havia porque preocupar se estaríamos incomodando alguém também. Mas isso era uma das coisas que me incomodava no Bilu: ele gostava de aparecer. Mostrar o que tinha, se orgulhar pelos objetos e materiais que possuía. Acho tudo isso ainda muito fútil.
Quando chegamos na porta do alojamento, pensei em entrar. Mas não quis. Então despedi do Bilu, e ele me convidou a entrar. Falei que não podia, já estava tarde. Então ele fez o convite para irmos ao Cadillac, combinando dia e horário. Uma semana depois. Concordei. Então após um aperto de mãos, segui meu curso. Parei apenas um momento, olhei para a janela do quarto dos meninos e voltei a caminhar. Precisava realmente me afastar.
Em casa, liguei o notebook e fui navegar na internet. Quando abri o Facebook, tinha uma mensagem. Abri para visualizar e era o Matheus perguntando o porquê não fui ao quarto hoje, que tínhamos episódios de séries para assistir e que ficaram me esperando. Apenas respondi que não pude. Eu não conseguia evitar falar com ele. Eu gostava de conversar com ele. Era bom. Então ficamos ali, conversando. Ele pediu para eu ir no quarto no dia seguinte sem falta para vermos os seriados, e eu confirmei que iria. E no meio dessa conversa, entrei no assunto sobre ir ao restaurante com o Bilu, e de alguma forma, terminei convidando-o para ir junto com a gente. Eu realmente não conseguia afastar dele. E ele aceitou. E tudo se tornou oficial quando avisei o Bilu, que demonstrou ter nenhum problema com o convidado inesperado. “Pode ser legal”, pensei.

(…)

É final de março, dia 24, sexta-feira. O dia que íamos eu, Matheus e Vitor ao Cadillac. Eu e o Matheus nos encontramos para ir. O Bilu ia para lá depois da aula de inglês dele. Chegando lá, pedimos algo para beber enquanto esperava o Bilu chegar, o que não demorou muito. Tenho que dizer que convidei os outros meninos do quarto para vir também, mas todos eles recusaram por algum motivo. Quando nós três finalmente estávamos juntos, preparamos para pedir. No final, nós três fizemos praticamente o mesmo pedido: espaguete, diferindo apenas no molho. Bilu e Matheus acessaram com o celular deles a internet wi-fi que o estabelecimento oferecia aos clientes. Eu não possuía um celular com tal capacidade, então fiquei só na parte social mesmo. E comendo. Quando acabamos nosso espaguete, pedimos sobremesa. Três Petit Gateau. Aquilo era delicioso, e a primeira vez que eu experimentava. Como passei uma vida sem conhecer tamanha delícia? Todos reagiram da mesma forma. Foi engraçado.
E quando acabamos a sobremesa, pagamos e fomos embora. Falei que acompanharia os meninos até o alojamento e depois iria para casa de lá. Íamos conversando no caminho, mas eu e o Matheus possuíamos uma conexão maior. E ele era irresistível para mim a essa altura. Toda vez que ele começava a falar, minha atenção era toda dele, não conseguia não me concentrar em sua voz, no movimento de seus lábios. E, por muitas vezes, ele interrompia o Bilu para falar algo. E eu o acompanhava, quase ignorando qualquer coisa que o Bilu dissesse. Era claro para mim que não adiantava eu me esforçar para me afastar dele, era como se sempre acabássemos mais próximos no final. Eu tentava me convencer de que havia outra pessoa na vida dele, para eu esquecê-lo, mas era tão inútil quanto tentar apagar a um incêndio com um copo d’água. Quando estávamos quase chegando à entrada do Campus, Bilu falava algo comigo quando o Matheus falou algo que atraiu minha atenção novamente. O Bilu “explodiu” em ira com aquela n-ésima vez que era interrompido e rompeu em direção do Matheus, atingindo-o com os punhos a região do estômago. Foi tão de repente, que fiquei sem reação. Eu falei:
- Bilu, que isso?
- Já não sei quantas vezes ele me interrompeu hoje. Eu também sou seu amigo. Fui eu que te convidei para ir ao Cadillac comigo, e ele não deixa eu nem conversar contigo sem que eu seja interrompido.
- Mas você não pode bater nele assim? – olhei para o Matheus para ver como ele estava, ficando mais aliviado ao ler seus lábios dizerem “eu estou bem, não foi nada”.
- Desculpa, Chris. Mas não dá. Ele me irritou. Quer saber, vou embora.

E saiu andando na frente. Ignorando-me. Corri atrás dele para tentarmos conversar, mas ele estava com raiva. E não queria falar comigo. Então parei para esperar o Matheus, que vinha logo atrás. Perguntei como ele estava, e ele falou que estava bem, não tinha sido nada. Mas enquanto falava isso, não tirava a mão da região onde levou o soco. Mesmo o soco sendo fraco, a região é muito sensível, e qualquer pancada causa dor e dano facilmente. Mas poderia ter sido pior. Acompanhei ele até o alojamento, e fomos conversando sobre o Bilu no caminho. Mas aquela discussão tinha seus lados positivos. Pelo menos, me fez sentir muito bem.

(…)

O tempo passou, ia ver os meninos como de costume. Assistimos séries, conversamos. O de sempre. Matheus ainda não sabia quem era a pessoa 13, e eu não sabia por quem ele estava apaixonado. Mas, sobre o segundo assunto, não conversamos. Porém tudo parecia ter voltado ao normal. Eu não tinha coragem de perguntar. E como ninguém parecia querer me contar, então tudo ficou na mesma. Os dias foram passando, e apenas uma novidade aconteceu: Eu recebi uma solicitação de amizade um tanto quanto estranha no facebook. Era Nicholas Cardoso, e tinha alguns amigos em comum, entre eles, Matheus de Sousa. Quando perguntei para o Matheus, eu confirmei que o Nicholas era irmão dele. Matheus enfatizou bastante que não queria que eu o aceitasse, o que eu deixei bem claro ser tarde demais, uma vez que eu já havia aceitado a solicitação de amizade dele. Mas não foi a solicitação que me chocou, mas sim nossa primeira conversa: ele perguntou se Matheus namora um tal de Gabriel Henrique. Eu fiquei surpreso. Não esperava ler isso do irmão dele. Suspeitei que Gabriel fosse o menino que Matheus estava indo encontrar aquele dia, então. Mas, infelizmente, eu realmente não tinha a resposta certa para aquela pergunta.
- Cara, porque você não pergunta para ele?
- pq ele naum me responde down, mais em pf me fla – ELE DIGITAVA MUITO MAL!
- E porque você acredita que eu tenho a resposta??
- pq vc e muito amg dele e eu sei q tem, eu so quero saber msm eu já sei oq ele e mais eu so queria saber se ele so ficou com ele ou se os dois namoraram pf me falaaaa

A conversa acabou. Ali. Eu não tinha o que responder. Estava usando a internet pelo celular. E naquele momento tudo que sabia eram apenas especulações. Ainda eram só especulações, mas agora tinha um nome e um status possível de namoro ou ficante. Eu sentei na calçada. “Era um menino. Então era um menino. Porque Matheus não me contou?”. Fiquei me questionando. Não estava triste. Eu já tinha me conformado com essa possibilidade. Mas o fato dele não confiar em mim era que me machucava. E muito. Como eu podia gostar de alguém que nem confiava em mim? Eu gritei no meio da rua a palavra TROUXA. Era exatamente o que eu me sentia naquele momento. E, como se não pudesse piorar, Bilu me ligou logo depois de eu gritar. Eu só queria paz e ficar em silêncio. Mas eu atendi a ligação mesmo assim. Para minha tristeza, ouvi minha voz vacilar quando atendi. E a primeira pergunta do Bilu foi: Está chorando?
Eu neguei, mas eu estava. Por dentro, de alguma forma. Como se minha alma chorasse. Mas neguei. Ele fez outras perguntas, mas não respondi. “Não foi nada, Bilu, não estou chorando, não precisa preocupar”. E desliguei. Simplesmente, desliguei.

Já era meados de Abril quando isso aconteceu.

principeoberyn:

First trailer for Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (The Way He Looks) [x]

(via dirtymew)

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (The Way He Looks) x

(via dirtymew)

asdfghjklady:

The Love of Siam

(via dirtymew)

(via matsousa)


Breathe, 2014
| Elizabeth Gadd

(via matsousa)

i’m seriously in love with you.

(via matsousa)

(via matsousa)

(via matsousa)

(via matsousa)